Os efeitos da economia na aviação brasileira – Parte 1

Nos últimos anos o Brasil vivenciou um período de retração de sua economia jamais registrado em sua história recente. Em 2015 e 1016 tivemos uma retração de 3,8 e 3,6% no PIB Real e de mais de 9% no PIB Per Capita, ou seja, se tivessem uma distribuição de renda 100% igualitária, teríamos na prática uma redução de quase 10% do nosso poder aquisitivo em 2 anos. No entanto, a desigualdade na distribuição de renda e o fato de que a classe média e os mais pobres foram mais afetados pela crise, fez com que o poder aquisitivo médio das famílias fosse reduzido em cerca de 13%, a pior recessão já registrada. Mas qual a relação da economia com o crescimento (ou redução) da aviação no Brasil?

Nesta primeira analise vamos nos focar apenas na correlação direta que verificamos entre a variação do PIB e da demanda por transporte aéreo no Brasil. Analisamos os dados de crescimento do mercado da aviação (Nacional e Internacional) por quantidade de passageiros e fizemos uma correlação direta com a variação do PIB, no período de 2007 a 2016. No tabela abaixo podemos ver estes dados, que apontam um crescimento médio de 2,06% no PIB e de 7,62% no mercado de passageiros no Brasil, cerca de 3,7x a mais.

O gráfico abaixo ilustra essa relação de forma mais clara, aonde podemos identificar que com poucas exceções, a aviação no Brasil tem correlação direta com a nossa economia.

É possível perceber que nos anos de 2009 e 2014 a aviação não andou de mãos dadas com a economia brasileira, apresentando dados muito acima do normal. Com relação ao ano de 2009, houve uma leve retração na economia de 0,13% mas um crescimento de quase 10% na aviação. Dois fatores podem explicam esta variação:

 1 – A crise internacional levou a uma queda muito grande no valor do barril de petróleo, responsável por quase 40% dos custos das companhias aéreas no Brasil.  Com isso o valor da tarifa aérea caiu quase 30% com relação a 2008, levando assim a um aumento da demanda mesmo com a economia em leve queda.

 

 2 – Um crescimento consistente no PIB por cerca de 7 anos (em torno de 4,5%) foi responsável pela inclusão de várias famílias em uma faixa de renda que as possibilitava viajar de avião e a pequena queda do PIB em 2009 foi fortemente puxada pela queda nas exportações, uma vez que o mercado internacional foi fortemente afetado pela crise. Desta forma as famílias brasileiras foram menos atingidas e a aviação conseguiu manter seu forte crescimento de quase 10%.

 

 Já em 2014, tivemos um crescimento de apenas 0,5% na economia, mas de 6,5% na aviação. Aqui a explicação é ainda mais simples, pois tivemos fortes investimentos em aeroportos e uma demanda muito grande devido a realização da Copa do Mundo, no entanto, sem a conclusão de todas as obras e com diversos problemas nos aeroportos, nossa aviação apresentou um crescimento abaixo do que era estimado.

 

Com estes dados verificamos que a correlação entre a economia brasileira e o crescimento da aviação é de 0.78, (a correlação máxima é 1.00) o que significa em termos estatístico que existe uma forte correlação entre as duas variáveis. Para simplificar, podemos dizer, considerando os dados de 2007 a 2016, que a aviação varia, em 78% dos casos, de forma direta com a economia do Brasil e em média crescendo e caindo cerca de 3,7 vezes o PIB.

 

 
 

 

GUSTAVO BIANCHINI

Formado em marketing pela Universidade de São Paulo (USP), Pós Graduado em Gestão de Empresas pela FIA e MBA em Economia Comportamental pela ESPM. Administra desde 2010 a Bianch.com e Editora Bianch e recentemente eBianch. Desde 2017 passou a gerir a Azul Collection em parceria com a Azul Linhas Aéreas.


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