A velocidade V1

Talvez a V1 seja o conceito mais importante de ser definido e bem compreendido tanto por pilotos, dada a sua importância na segurança das decolagens, como por engenheiros de performance que podem se valer da escolha da V1 mais adequada para melhorar o aproveitamento de payload em voos que decolam de pistas críticas.

De acordo com o FAR 25.107(a)(2), V1 é definida como a velocidade de decisão na decolagem, selecionada pelo fabricante da aeronave. Entretanto, a V1 não pode ser inferior a VEF mais o ganho de velocidade, com o motor crítico inoperante, durante o intervalo de tempo entre o instante que ocorre a falha do motor crítico e o instante que o piloto reconhece a reage à falha, indicado pela aplicação do primeiro método de desaceleração pelo piloto durante os testes de aceleração e parada.

Para efeitos de certificação, o tempo decorrido entre a falha do motor crítico na VEF e a primeira ação do piloto no sentido de parar a aeronave é de 1 segundo. Ou seja, o tempo entre a VEF e a V1 é de 1 segundo.

V1 significa a máxima velocidade na decolagem em que o piloto deve tomar a primeira ação (i. e. aplicar os freios, reduzir a potência, abrir os spoilers) para parar a aeronave dentro da distância de aceleração e parada, como mostrado na Figura 1.

V1 também significa a mínima velocidade na decolagem, após uma falha do motor crítico na VEF, que o piloto pode continuar a decolagem e atingir a altura requerida (35ft ou 15ft) acima da superfície dentro da distância de decolagem, como mostrado na Figura 2.

Limitações da V1

A V1 não pode ser inferior a VMCG pois deve ser possível continuar a decolagem a partir dela.

A V1 não deve ser maior que a VMBE pois, caso contrário, não é possível frear a aeronave para parar.

A V1 também não poder ser maior que a VR pois, caso a rotação para decolagem tenha sido iniciada, não é possível interromper a decolagem.

JOÃO CARLOS MEDAU

João Carlos Medau iniciou sua carreira na aviação em 1994, acumulando mais de 11 mil horas de voo em aeronaves como Bandeirante, Brasília, ATR, Boeing 737, Fokker 100, Airbus A318/319/320 e A330, exercendo também funções de instrutor e examinador credenciado. Atualmente, é Comandante e Instrutor de Airbus A330 em rotas internacionais. Medau é graduado em Ciência da Computação, com Mestrado e Doutorado em Engenharia de Transportes pela Escola Politécnica da USP.

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