Conheça o EMAS, o sistema instalado na pista aeroporto de Congonhas

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Um dos mais frequentes incidentes que ocorrem na aviação é a excursão de pista durante o pouso, esse tipo de evento pode ter diversos fatores contribuintes, mas os principais são: aproximação desestabilizada, velocidades acima do recomendável para o pouso, toque fora da área ideal, pista contaminada, chuva forte etc.

Em razão disso, nos anos 1990, foi desenvolvido nos Estados Unidos o sistema EMAS, Engineered Material Arrestor System, no qual blocos de cimento esponjoso são instalados logo após o término da pista para desacelerar e parar aeronaves, com o mínimo de dano possível, que tenham ultrapassado o limite da pista.

Além do inexistente ou mínimo dano à aeronave, a substituição dos blocos danificados é feita rapidamente, permitindo que a pista volte a operar em pouco tempo. 

Geralmente esse sistema é recomendado para aeroportos que não possuam, normalmente por razões geográficas, uma RESA (Runway End Safety Area) padrão de 300 metros.

Desde as primeiras utilizações do EMAS, esse sistema se provou uma excelente ferramenta de segurança em diversas ocasiões, desde incidentes com leves aeronaves a jato como o Phenom 100 até enormes Boeing 747 e MD-11, resultando na parada total da aeronave dentro do espaço previsto.

No Brasil, esse sistema existe apenas no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, tendo sido instalado nas duas cabeceiras da pista principal em 2022. Naturalmente pensamos se esse sistema teria evitado o acidente do TAM 3054 em 2007, e a resposta é não por dois motivos, o TAM saiu da pista para a esquerda, não passando pela área no qual o EMAS está localizado e a aeronave estava significativamente acima da velocidade máxima para qual o EMAS é projetado. Contudo, o acidente do TAM foi uma exceção às ocorrências de excursão de pista, pois a maioria dos incidentes e acidentes de excursão de pista ocorrem logo após o término da pista.

Não podemos afirmar que o sistema EMAS teria evitado a perda dessa aeronave, mas muito provavelmente teria diminuído a gravidade do acidente, a maioria dos EMAS instalados são certificados para pararem aeronaves a uma velocidade de até 70 kt, o 747 estava a 77.

Um caso famoso no qual o EMAS foi utilizado, ocorreu quando a aeronave que transportava Mike Pence, vice-presidente do então candidato à presidência dos Estados Unidos Donald Trump, ultrapassou os limites da pista em La Guardia, NY, parando em segurança após entrar em contato com o EMAS.

Nessa imagem podemos ver toda extensão do EMAS

Registro do incidente o qual Mike Pence estava a bordo

Utilização do EMAS por um pesado MD-11. Como podemos ver, os danos a aeronave são mínimos

Excelente vídeo explicativo

Nesse vídeo podemos ver a atuação completa do sistema EMAS em um teste com um Boeing 737

Referências (vale a pena assistir!)

https://www.bst-tsb.gc.ca/eng/enquetes-investigations/aviation/2018/a18a0085/a18a0085.html

https://www.faa.gov/newsroom/engineered-material-arresting-system-emas-0