Descubra o que aconteceu com as aeronaves da Segunda Guerra Mundial após o conflito

A Segunda Guerra Mundial realmente teve proporções globais, ocorrendo combates em todos os continentes com exceção da Antártida e uma produção material nunca vista, com milhares de tanques, blindados, navios, submarinos, porta-aviões e aeronaves.

Entretanto, todo esse material, independente de suas condições, teve que ser administrado após o final da guerra e nesse texto conheceremos o que aconteceu com as mais de 800.000 aeronaves produzidas.

Ao fim da guerra em 1945, os campos, portos, cidades etc. onde ocorreram os combates estavam repletos de veículos, armas e materiais de apoio destruídos, abandonados ou estacionados e então começou-se um trabalho colossal para organizar tudo isso. Apenas de bombardeiros norte-americanos B-17, 24 e 29 foram mais de 34.800 unidades produzidas.

Na aviação por exemplo, a guerra começou com a aeronave a pistão sendo o que havia de mais avançado na área, porém a introdução do avião a jato indicou a obsolescência de grande parte das aeronaves militares a pistão e com o fim do conflito, a grande maioria não tinha mais função, sendo então primeiramente estocadas na Europa, África do Norte e Estados Unidos.

Devido a destruição de infraestrutura generalizada nas cidades, todos países onde ocorreram conflitos necessitavam profundamente de matéria-prima, principalmente metal e viu-se no alumínio das aeronaves estocadas uma ótima fonte desta matéria-prima. Após a retirada dos armamentos, combustível, motores, instrumentos, rádios e outras peças valiosas, as aeronaves eram recicladas. De modo geral, praticamente todos os aviões aliados e do eixo foram reciclados até 1948.

Além das aeronaves, os milhares de tanques e veículos terrestres também foram de grande valia, pois por serem extremamente pesados devido a blindagem, possuíam dezenas de toneladas de metal cada, sendo a maioria reciclados para a reconstrução dos países, principalmente na União Soviética, que tinha milhares de veículos alemães destruídos ou danificados em seu território.

Em relação às aeronaves, os modelos construídos especificamente para o combate como caças e bombardeiros foram reciclados porque não tinham mais uso e eram obsoletos, porém algumas centenas foram reaproveitadas no pós-guerra, diversas aeronaves militares como os caças P-51 e F4U Corsair e bombardeiros B-24 e 29 foram utilizados na Guerra da Coreia em 1950 e caças alemães Bf 109 e Me 262 construídos sob licença pela empresa AVIA continuaram em operação na Tchecoslováquia até 1951 por exemplo. Na Espanha os modelos de bombardeiro He-111 e caça Bf 109 foram produzidos sob licença, pelas empresas Casa e Hispano Aviación respectivamente, onde operaram até a década de 1970, o Casa 2.1111, nome local para o He 111, operou como transporte de passageiros e chegou até entrar em combate novamente na guerra de Ifni no Marrocos em 1957 e 58.

A empresa aérea Servicios Aereo Boliviano/Lloyd Aéreo Boliviano (1925-2012) recebeu em 1950 25 unidades do B-17 onde operaram até 1968 no transporte de carga. Foi também a grande disponibilidades de Douglas C-47/DC-3 que permitiu a enorme expansão da aviação civil no mundo inteiro durante o pós-guerra, esse modelo não foi reciclado em massa pois era de simples conversão para o transporte de passageiros, como originalmente projetado na década de 1930.

Alguns outros aviões muito avançados como o Me 262, He 162, Arado Ar 234 entre outros foram levados aos Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética para serem estudados, após isso geralmente também eram reciclados ou doados a museus ou coleções privadas.

Atualmente, nós entusiastas da aviação ficamos tristes em ver essas espetaculares máquinas possuindo um fim tão pouco digno, entretanto na época foram de extrema importância para a reconstrução dos países mais afetados pelo conflito, em apenas uma das localidades de desmonte, mais de 20 milhões de toneladas de alumínio e 9 milhões de aço foram recuperados das aeronaves.

Fábricas norte-americanas de aeronaves

Ferros-velhos lotados de aeronaves B-17 e B-24 logo após a guerra

Caças P-40 empilhados já sem os motores

Bombardeiro médio He 111 e sua versão espanhola Casa

Aeronaves alemães Fw 190, Arado Ar 234, Do 335 e Casa 2.111 preservados em museu nos Estados Unidos, apenas uma unidade do Ar 234 e Do 335 existem atualmente

Diversas aeronaves alemães sendo transportadas para os Estados Unidos logo após a guerra, nessa imagem podemos ver o Dornier Do 335 que está preservado e unidades do primeiro caça a jato operacional da história Me 262

Caças P-47 e Bf 109 preservados no Museu da Tam na cidade de São Carlos, no interior da estado de São Paulo. Até o momento da escrita desse texto, Julho de 2023, o museu permanece fechado

Bombardeiro pesado B-17 sendo utilizado na Bolívia para transporte de carga e Douglas DC-3 da Varig preservado em Porto Alegre

Como citado no texto, a empresa AVIA construiu 603 Bf 109 sobre licença e ironicamente,  diversas unidades dessas novas aeronaves nomeadas S-199 originárias de um projeto alemão da Segunda Guerra foram fornecidas à Força Aérea de Israel para defender a possibilidade de um estado judeu existir no oriente médio na Guerra Árabe-Israelense de 1948-49, também chamada de Guerra de Independência. Nesse conflito, apesar de difícil operação, os Avias tiveram decisivo impacto nos combates e chegaram a abater seu velho inimigo, o Spitfire, dessa vez sobre cores da Força Aérea do Egito. Apenas três unidades do Avia S-199 foram preservadas, uma delas encontra-se justamente no museu da Força Aérea de Israel.

Para quem tiver maior interesse no Avia, assista esse excelente vídeo sobre a operação desses caças citados acima

Nesse site é possível ver mais imagens desses cemitérios: https://www.warhistoryonline.com/instant-articles/wwii-airplane-graveyards.html

Referências

https://www.warhistoryonline.com/instant-articles/wwii-ended-what-happened.htmlhttps://www.airplaneboneyards.com/post-wwii-airplane-scrapping-melting.htm

flow of WWII weapons after the war

The fate of World War II surplus aircraft