Conheça a origem do checklist e sua importância para a aviação

Quando pensamos em pilotar aeronaves, independentemente do tipo, tamanho ou capacidade, a utilização dos checklists é inerente ao voo, pois essa simples, porém muito importante atitude faz com que o voo fique infinitamente mais seguro e evita os mais diversos problemas que poderiam surgir, desde o check pré-voo até as fases mais críticas. Entretanto nem sempre foi assim, por aproximadamente 30 anos os pilotos realizaram suas tarefas apenas utilizando a memória e experiência para saber o que deveria ser feito em cada fase do voo. Com o passar do tempo as aeronaves foram ficando maiores, com mais motores e sistemas, aumentando significativamente a complexidade de sua operação e a quantidade de acidentes.

          Na década de 1930, a aviação do exército dos Estados Unidos (naquela época não existia força aérea ainda) estava à procura de um novo bombardeiro para missões de longo alcance, e o protótipo do Boeing B-17, chamado de B-299 no início, era um dos competidores no programa.

Em 30 de Outubro de 1935, a tripulação do B-299 iria realizar mais um voo de demonstração a oficiais do exército, contudo logo após a decolagem a aeronave perdeu sustentação e colidiu com o solo iniciando um incêndio, das 5 pessoas a bordo, 2 perderam a vida pouco tempo depois devido aos ferimentos. A investigação concluiu que não havia nada de errado com o protótipo, o que motivou o acidente foi o esquecimento das travas que mantinham os profundores e leme fixos em solo para que não mexessem com o vento.

Muito se especulou na época que a aeronave era demasiadamente complexa, com muitos sistemas e instrumentos para monitorar e informações para memorizar, assim não sendo possível voá-la de maneira segura. Concluiu-se então que novos procedimentos deveriam ser introduzidos, pois não daria mais para voar apenas fazendo as coisas de cabeça do modo que eram feitas antes, e como solução, os engenheiros da Boeing desenvolveram o checklist para auxiliar na operação segura da aeronave.

Visto que essa nova maneira de gerenciar o voo era excelente, foi adotada em toda indústria aeronáutica e espacial posteriormente, sendo utilizada em voos do programa Apollo e Ônibus Espacial, por exemplo.

Além do checklist da aeronave, devemos também nos atentar às nossas condições físicas e psicológicas antes do voo, para isso criou-se o acrônimo I’M SAFE, com a intenção de ajudar os pilotos a avaliarem-se com maior facilidade.

          A ANAC possui um material similar muito bacana, nomeado Checklist Pessoal de Mínimos Operacionais, disponível gratuitamente para download nesse link: https://www.gov.br/anac/pt-br/assuntos/seguranca-operacional/gerenciamento-da-seguranca-operacional/arquivos/chlst-pessoal_versao_anac_v2_celular.pdf

 

Protótipo B-299 e o que sobrou após a queda e incêndio

 

Checklist do Boeing B-17

Checklist incorporado ao traje lunar do Programa Apollo

 

Astronauta lendo um checklist em voo a bordo do Ônibus Espacial

 

Referências

Livro de Navegação Aérea por Instrumentos – Editora Bianch

Pilot Checklists Are A Direct Result Of B-17s-Here’s The Horrific Reason Why

https://blog.nuclino.com/the-simple-genius-of-checklists-from-b-17-to-the-apollo-missions

One thing at a time: a brief history of the checklist

https://www.plusoneflyers.org/the-b-17-and-the-origins-of-the-pre-flight-checklist/

https://www.covalentlogic.com/news/560

What the B17 Taught Us About Checklists